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A Míope

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"Ela olha para o mar e lembra tudo o que deixou as ondas levarem. Deixou que elas levassem sua sanidade, seus medos, mas quase entregou sua vida também. Enquanto abraça os joelhos, ela lembra daquela noite, como se ainda estivesse nela. Ela lembra de estar drogada e bêbada, lembra de estar no mar, lembra de querer estar em outro lugar, lembra de querer estar em outra vida. E ela se lembra de estar na areia, chorando, abraçando os joelhos do mesmo modo que estava agora, e de prometer a si que nunca mais se deixaria fazer algo assim."

Você olha para o álbum de sua vida e vê as fotos alegres das quais quis se recordar. Jogou fora todas aquelas tentativas frustradas em que saiu com cara de choro, ou fazendo uma careta sem intenção, ou com um sorriso torto, ou de olhos fechados. Você não quer enxergar todos os dramas e dificuldades pelos quais passou e muitos do quais por que ainda passa. Mas você sabe que, no fundo da gaveta, vai ter uma foto que representa a realidade da vida: a tristeza andando ao lado da alegria. E ao tomá-la em suas mãos, você se lembra do que quis esconder. Você se lembra da rota tortuosa que percorreu antes de sorrir para a câmera. Você se lembra dos caminhos solitários. Você sabe que foi a mar profundo tentar salvar um navio parcialmente afundado.   [Continuar]
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"Para onde ele foi?" É tão fácil pensar que foi ele que nos abandonou, que nos entregamos rapidamente à ideia de que estamos sozinhos. O friozinho da vazio é melhor recebido que o calor ardente da culpa. Mas por quê? Porque somos fracos e preguiçosos? Ou simplesmente porque somos incapazes de enxergar as pegadas erradas exceto quando retornamos pelo caminho? 

Então você se depara com o início. "De onde ele veio?" Ele passou rápido por você. Num momento era sonho, no outro devaneio. Daí veio a insanidade. Ele chegou destruindo e reconstruindo. Criou novos espaços até que se tornou império. Você não viu seus fantasmas se afastando, pois ele chegou sutilmente. A fera veio calada. Até que, no meio da estrada, soltou seu rugido.

Então, vieram as palavras, as primeiras declarações. O toque de mão já não era alegria momentânea; era necessidade. O aperto vinha da ausência. Ele tomou seu corpo, controlou seus prazeres. Finalmente, você se deu conta de que ele estava ali, tão claro como se sempre tivesse existido. O silêncio já era barulho. As fortes batidas no peito. O sorriso. Vieram as memórias mais felizes, sempre sonhos de uma noite de verão. Era calor e era mais que isso. Era torpor. "Era ilusão."
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Há três anos, quando aquele homem apareceu em minha porta, eu aceitei sua proposta sem pestanejar. Era o que eu fazia rotineiramente. As pessoas pagavam. Eu recebia o dinheiro. Alguém era vigiado. Segredos eram desvendados. Simples assim. O esforço envolvido era grande, mas a remuneração também era. E eu era o melhor em conhecer a vida das pessoas - e reconhecer a verdade nelas.
Eu trabalhava para o lado bom e para o lado ruim - se é que havia algum lado. Auxiliava a desvendar crimes, mesmo não sendo a pessoa mais amada da justiça. Auxiliava a cometer outros tantos crimes. O rumo era determinado pelas vantagens obtidas.
Jack, como eu o apelidei, chegou naquela tarde em meu apartamento dizendo que meus serviços foram recomendados por conhecidos. Eu ouvi atentamente. Ele era frio e confiante. Não era um caso passional. Jack não se deixava abalar. Era cruel. Imaginei logo que envolvia a fortuna da vítima, mas não era da minha conta a não ser que ele trouxesse à tona. Eu era pago para fazer, não para questionar.
Achamos o local apropriado, instalamos meus equipamentos. A vítima chegou uma semana depois. Chegou desacordada, parecendo que dormia um belo sono. Contudo, manchas roxas demonstravam que sua chegada não fora sem violência física. Eu analisava tudo. Eu precisava analisar tudo. 
Ele queria que eu identificasse o que ela sabia sobre o desaparecimento do suposto amante. Dário, o nome dele. Michela, o nome dela. Muito embora Jack parecesse se importar apenas com ele, eu sabia que havia algo em seu passado que envolvia a moça. 
- Eu não sei onde ele está!
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Fonte: We Heart It

Éramos apenas crianças, eu sei. Éramos criaturas que sequer sabiam pronunciar as palavras. E, ainda assim, pronunciávamo-las. A forma não era perfeita, mas a intenção era clara. E quando você me deu sua mão pela primeira vez, eu acreditei que pularíamos em todos os penhascos da vida. Eu acreditei que você me seguraria. Construímos aquele barco juntos e juntos entramos no oceano. Eu acreditei que você me acompanharia na travessia. Mas eu falhei de inúmeras maneiras. Inclusive em apenas acreditar em você.

Quando eu quis dar meu primeiro passo, navegar por aquelas águas estranhas, eu senti sua mão suando na minha – junto à minha – e eu tive medo. Eu freei. Eu larguei os remos. Quando a onda veio, e quando ficamos à deriva, eu achei que você estivesse me segurando naquele ponto sem saída. Então, eu me esqueci de todas as promessas e crenças. Eu não entendi que você queria estar comigo. E eu larguei sua mão, perdendo-o rumo ao infinito. Eu constituí universos separados.

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Eu te amava tanto. A frase passou como a tormenta que caía do lado de fora da cabana, gelando minha alma. Eu amava, como se já tivesse conseguido deixá-lo no passado do verbo. Tão bom seria se o tempo verbal revelasse a veracidade do sentimento. Mas o convencimento permanecia inerte no isolamento da mente.

Eu te amava tanto. Eu falava como se quisesse que fosse verdade e falava em presente ao invés de invocar nosso passado. Eu deixava o amar - amo - preencher minha vida, como se tudo fosse apenas isto e nada mais que isto. Eu o amo, eu repetia sem parar em seu ouvido. Agora digo eu o amava, pois o presente passou ligeiramente fugindo da tempestade que o aguardava. O futuro tornou-se a chuva, queda de água diante dos meus olhos. Eu presa a você, sem as chaves desta casa largada.

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Querida Athena,

Talvez oceanos e eras nos separem no momento em você ler - ou reler - esta carta. Já não sei se fará alguma diferença o que minhas palavras tem a significar em sua vida, ou se serão apenas parágrafos escritos ao vento, como a bula de uma história a ser ignorada. Pode ser que sirva apenas como o remédio inútil de uma hipocondríaca do autoconhecimento. Ou pode ser que seja o estopim de uma grande revolução. Assim espero, ao menos.

É tão incrível que anos se passem e pessoas mudem e que eu e você permaneçamos em contato. Por vezes, acho que nossa ligação será cortada, como um bebê que se liberta do cordão umbilical. Sim, eu sei que isto é impossível, pois somos a mesma pessoa - eu, o que já fomos, e você, o que ainda seremos. No entanto, sinto como você se esquecesse de mim, deixando-me isolado num canto do seu passado como uma fotografia desconhecida quase apagada. Eu não sou fotografia. Eu tenho vida. Eu coexisto. Eu não deixo de existir. Eu sou o seu movimento, o seu caminho, seus passos. Eu sou seu pensamento. Sou sua fala, seus gostos e desgostos. Eu sou você. E, quando você me apaga, apaga aquilo que realmente é, perdendo-se na infinidade de coisas que poderia um dia ser, desconstruindo-se e tornando-se apenas uma matéria flutuante.

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Pandora gostava de acreditar que havia nascido para um romance. À medida em que o tempo passava, ficava inquieta com a inércia da vida. Nada grandioso ou extraordinário lhe acontecia. Não podia viver para sempre na mesmice do nada acontecer. Assim, quando passou pelo antiquário que ficava a algumas quadras de sua casa - exatamente na metade do caminho para a escola -, veio-lhe o grande pensamento. Não precisava ser presenteada por deuses, fadas madrinhas ou excêntricos seres. Pandora podia fazer da sua vontade a verdade. Comprou aquele lindo e caro caderno de capa dourada - da mesma cor que seria sua vida de agora em diante. O proprietário da loja lhe contara as fabulosas aventuras vivenciadas por aquele item - havia passado até pelas mãos de Shakespeare -, cuja capa sobrevivera por séculos. As folhas, como era de se esperar, ficaram desgastadas com a idade e foram usadas e trocadas algumas vezes. Algumas pertenciam hoje a museus, outras escondiam-se sob o solo do tempo. Nem sempre o conteúdo era importante o suficiente para ser relembrado - ou, ao menos, de importância para o mundo. O que importava era a mágica daquele revestimento de ouro e partículas preciosas - as vidas que se escondiam no objeto. A mágica? Tudo o que você deseja se torna real. Pandora finalmente teria o que queria. Pandora pensou na lista de desejos que gostaria de registrar. Em primeiro lugar, gostaria de ser rica o suficiente para comprar e viver tudo o que desejasse caso não pudesse escrever no caderno. Colocou uma boa soma no caderno e esperou que o dinheiro entrasse em sua conta. Depois, pensou, gostaria de ser mais alta. E continuou com a parte de futilidades. Afinal, nada de mal poderia advir destes pequenos desejos. Passou, então, para parte sentimental. O que gostaria de escrever? Pandora sabia bem. "Pandora deseja ser a heroína de um romance e encontrar um final feliz ao lado de alguém que a compreenda". Magicamente, Pandora foi absorvida por seu desejo e transformada em palavras. Tornou-se uma história, com um desfecho feliz ao lado de um príncipe que a compreendia. Não percebeu que passar o controle de sua vida a algo ou alguém era perder-se no curso do livro da vida. O seu romance seria aquilo que sempre desejou: apenas palavras.

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Fonte: Pinterest

Em um acesso de loucura, decido quebrar o relógio em meu pulso contra a parede de concreto de meu quarto. A objetificação do tempo transformada em cacos, cada qual representando sua partícula minúscula do espaço que me é roubado. E como ação consequente, tento abrir a porta emperrada do aposento, mas ela não obedece ao meu comando.

As paredes vão se fechando, como eu eu estivesse em um campo de extermínio. Não sei quantos minutos demorarão para me esmagar umas contra as outras; quebrei o instrumento de cálculo. O ar começa a ficar comprimido. E, ainda que sua concentração esteja aumentando em virtude da diminuição do espaço, ele parece desaparecer. Ele se concentra sobre minha cabeça, como uma espada que ameaça cair. O nariz pede para que ele desça, mas, da mesma forma que a porta, ele não consegue me obedecer.
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Eu tenho medo do escuro. Tenho medo de nada enxergar e não saber por onde caminhar, de não ver a porta à frente dos meus passos. Eu tenho medo do nada. Tenho medo do vazio que se instala quando não há luz em meus olhos. Eu tenho medo da ausência da chama. Fui queimada em muitas vidas e, ainda assim, tenho medo da chama nunca se acender. Tenho medo da distância da vela, ao menos mais do que de do ardor de seu fogo. Eu tenho medo de fechar os olhos e descobrir que nunca tive a coragem de abri-los.

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"A Era de Ouro enfim chega para as mulheres. Podemos dizer que finalmente elas têm tudo pelo que elas lutaram. Neste 08 de março, relembremos as figuras importantes que deram força a esta luta e auxiliaram na conquista de tantos direitos! Angelina Jolie, Emma Watson..."

Dolores desligou o rádio antes que a lista de mulheres brancas e poderosas se estendessem além de sua capacidade de memorização. Não discordava da grandeza de tais mulheres. Afinal, apenas o fato de nasceram com um órgão genital feminino parecia lhes conceder um peso enorme a ser carregado. Todo dia carregavam em seu útero a dor do machismo. Ela só queria que algumas de suas ancestrais talvez estivessem lá, na lista mal formulada por aquele homem de voz irritante. Ou talvez pessoas que todos desconhecessem e que tivessem lutado mais ativamente pela construção - ou desconstrução - da figura feminina - feminista.

O aparelho continuava a chiar na bancada da cozinha, como se obrigasse Maria Dolores a captar sua mensagem. Independente de quem tivesse figurado na luta ou de quais nomes fossem mencionados, não haviam as mulheres conseguido tudo aquilo que almejavam? Eram livres para votar, livres para trabalhar e até mesmo livres para escolher seus maridos. Obviamente, não havia a alternativa não escolher maridos. Ela riu. Quem pensaria em ficar sozinha? A mulher conseguira tanta coisa, que um marido em casa para confortá-la e dar-lhe apoio e segurança tornara-se uma essencialidade. Dolores tinha o dela, conquistado em uma dificílima disputa entre leoas. Nenhuma delas com o porte dela.
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Ela chegou em casa e largou a mochila sobre a cama. Não se lembrou de dizer oi ao pais ou aos irmãos. Quem perderia tempo com eles se poderia gastá-lo em algo melhor? Foi a desculpa que deu a si, revirando os olhos diante da obviedade.
Esperou impaciente que o computador ligasse. Até ele tramava contra ela. Então, a tela brilhou diante de seus olhos, e seus olhos também brilharam. Finalmente ela estava livre para ser feliz.
Clicou no ícone da internet, já sorrindo. Era tão bom inteirar-se do mundo inteiro enquanto fugia de seu próprio mundo. Quem precisava daquela escola medíocre com pessoas medíocres com assuntos medíocres? Ninguém. Ela tinha algo muito melhor: uma vida fora dali.
Sua página inicial era o blog do momento: "Espelho Invertido". Uma menina linda esbanjava sorrisos na foto de perfil - e ao longo das publicações, em mais fotos publicadas nas suas redes sociais. Ela era perfeita. Ela não se incomodava com o mundo ao redor dela, porque ela era o mundo. Ela podia ser tudo o que ela não era. Bella... Todos queriam ser como ela. Ela era tão... tão única. Ela sorriu novamente. Ela era tão diferente de Bella também. Não falava com ninguém - e nem se esforçava, era melhor do que todos naquele local. Não gostava de expor sua opinião - era desnecessário expor a quem não entenderia. Ninguém reparava em sua beleza - as pessoas eram cegas. Sorriu de novo. Ela definitivamente queria ser como Bella. Sorte sua que ela já era ela.

Apresentando mais um post do projeto "Mais que Palavras" (o tema anterior foi expectativas). O tema do mês? Internet.

A bela internet. Alterou bastante as nossas vidas, não? Lembro-me que quando eu era pequena, usava a internet de vez em quando, somente aos finais de semana, sob o risco de não receber ligações importantes - se um parente morresse, oops! Só íamos saber quando a Athena largasse o computador (para as coisas importantes como filmes reservados na locadora, daí sim, fazíamos aquele esquema super legal, com um código do qual não me lembro, para desviar as ligações para os celulares dos genitores, porque criança não tinha celular na época). A primeira vez em que a internet impactou minha vida social, foi aos doze anos, quando pedi para usar a recém instalada banda larga com acesso limitado durante um dia de semana, pois minha amiga estava com problemas com o paquera dela. E quem diria que hoje eu não viveria sem? - Eu mato por um sinal de 3g hoje.

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Fonte: Pinterest

No início deste ano, a Ana Gabriela, do Bela Psicose, e a Lare Figueiredo, do Girls Machine, criaram um projeto chamado "Mais Que Palavras". A cada mês, os (as) participantes elegem um tema e se propõem a redigir um texto de qualquer gênero. A ideia é incentivar a escrita através de um auto-desafio.

O primeira tema escolhido foi, em virtude do começo de 2015, expectativas.

Correndo o risco de, talvez, ser clichê, já me entrelaço ao tema sem saber o que esperar acerca do que sairá de meus dedos. Falar de expectativas é muitas vezes falar do pior ou do melhor amigo do homem, pois quem muito espera se decepciona e quem nada espera não consegue seguir em frente. Sempre digo a mim que prefiro não esperar nada e ter boas surpresas a esperar demais e sofrer por não ver minhas expectativas alcançadas. O grande problema está na suavidade da linha que divide a falta de expectativa do pessimismo - que, em minha opinião, não é falta de expectativa, mas a expectativa negativa - e na possibilidade de um ser humano viver sem nada esperar. O que acontece se não esperamos nada da vida?

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