A Ilha
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| Fonte: We Heart It |
Éramos apenas crianças, eu sei. Éramos criaturas que sequer sabiam pronunciar as palavras. E, ainda assim, pronunciávamo-las. A forma não era perfeita, mas a intenção era clara. E quando você me deu sua mão pela primeira vez, eu acreditei que pularíamos em todos os penhascos da vida. Eu acreditei que você me seguraria. Construímos aquele barco juntos e juntos entramos no oceano. Eu acreditei que você me acompanharia na travessia. Mas eu falhei de inúmeras maneiras. Inclusive em apenas acreditar em você.
Quando eu quis dar meu primeiro passo, navegar por aquelas
águas estranhas, eu senti sua mão suando na minha – junto à minha – e eu tive
medo. Eu freei. Eu larguei os remos. Quando a onda veio, e quando ficamos à
deriva, eu achei que você estivesse me segurando naquele ponto sem saída. Então,
eu me esqueci de todas as promessas e crenças. Eu não entendi que você queria
estar comigo. E eu larguei sua mão, perdendo-o rumo ao infinito. Eu constituí
universos separados.
O incrível foi que, por muitos anos, sentia o suor ainda em
meus dedos e não compreendia o que havia feito. Perguntava-me de que forma
nossos dedos entrelaçados haviam sido separados. Seria a força do tempo? Certamente,
teríamos nos cansado. Minha mente apagara aqueles breves segundos em que tomei a
decisão de lhe deixar para trás por medo de ficar para trás.
Era para a gente estar junto nessa. Era para que navegássemos
juntos, criássemos histórias. Hoje você vive a sua, devendo lembrar-se de mim
como aquela que o abandonou quando as lágrimas lhe caíam pela face. Eu fui
aquela que jogou o medo em sua cara por medo de tê-lo jogado em mim. Eu fui
aquela que, por egoísmo, largou a sua mão durante a correnteza.
Eu queria dizer que a culpa foi o maior motor da percepção, mas não sou mentirosa; sou egoísta. A culpa é apenas uma mínima parte do
sentimento que me afoga. A maior parte é arrependimento. Durante a correnteza,
você havia visto uma ilha, mas eu não quis ouvir. Quando larguei sua mão, você
nada mais tinha a fazer do que seguir para lá e encontrar outros companheiros
de viagem. Eu segui pelo outro caminho. Encontrei tempestades e redemoinhos antes
de me fixar em terra firme, onde a terra era a seca e eu constantemente me
sentia afogando.
- Vamos entrar juntos nesse mar?
- Vamos. Dê-me sua mão. A gente está junto nessa.
Eu me lembrava da hesitação no tom de minha resposta. Você,
não. Porque você sempre quis estar junto a mim. Eu é que nunca soube o que
querer.
Projeto Mais Que Palavras
Tema do Mês: Mas era pra gente tá junto nessa
Indicações:
Pamela Sousa - Gabrielle Roveda - Ana Paula

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