Eu te amava tanto. A frase passou como a tormenta que caía do lado de fora da cabana, gelando minha alma. Eu amava, como se já tivesse conseguido deixá-lo no passado do verbo. Tão bom seria se o tempo verbal revelasse a veracidade do sentimento. Mas o convencimento permanecia inerte no isolamento da mente.
Eu te amava tanto. Eu falava como se quisesse que fosse verdade e falava em presente ao invés de invocar nosso passado. Eu deixava o amar - amo - preencher minha vida, como se tudo fosse apenas isto e nada mais que isto. Eu o amo, eu repetia sem parar em seu ouvido. Agora digo eu o amava, pois o presente passou ligeiramente fugindo da tempestade que o aguardava. O futuro tornou-se a chuva, queda de água diante dos meus olhos. Eu presa a você, sem as chaves desta casa largada.
