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| Fonte: Pinterest |
Em um acesso de loucura, decido quebrar o relógio em meu pulso contra a parede de concreto de meu quarto. A objetificação do tempo transformada em cacos, cada qual representando sua partícula minúscula do espaço que me é roubado. E como ação consequente, tento abrir a porta emperrada do aposento, mas ela não obedece ao meu comando.
As paredes vão se fechando, como eu eu estivesse em um campo de extermínio. Não sei quantos minutos demorarão para me esmagar umas contra as outras; quebrei o instrumento de cálculo. O ar começa a ficar comprimido. E, ainda que sua concentração esteja aumentando em virtude da diminuição do espaço, ele parece desaparecer. Ele se concentra sobre minha cabeça, como uma espada que ameaça cair. O nariz pede para que ele desça, mas, da mesma forma que a porta, ele não consegue me obedecer.
