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A Míope

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Eu sei, estou nervosa. Faz algum tempo que não estou acostumada com seus atrasos. Vinte minutos já. Talvez eu deva pedir um café antes que eles cheguem. Ou talvez não. Talvez eles nem venham. Nesse caso, deveria pedir um café. Pelo menos o trajeto não teria sido em vão.

Quando termino de fazer o pedido, a porta da confeitaria se abre. Eles passam por ela, rindo de algo que não posso ouvir, algo que eu jamais poderia compartilhar. Ele faz caras e gestos demonstrando que a conversa era animada. Ela ri alto. Então, para e me vê. Seu semblante fica sério por um tempo, mas logo é substituído por um sorriso amarelo. Eu tento sorrir, mas sei que nada de bom sairá dali. Nunca fui boa em expressar aquilo que não sinto. Eu aceno levemente. Ela olha para ele. Ele já parou de falar, pois percebeu que havia entrado numa zona perigosa. Bombas podiam cair a qualquer minuto. Não cairiam, porém. Seriam apenas sorrisos.   [Continuar]
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Era a estreia de “No Meio da Rota”, protagonizada por Viola de Andrade, cujo destino dizia-se o amor do povo e da crítica. Viola esperava que a previsão de seu Oráculo de Delfos fosse verdade e que não restasse uma só cadeira vazia.

- Por que ela ainda não está pronta? Este é meu teatro - Viola ouvia o diretor bradar por trás da porta que a separava do restante do mundo.

Massageou as têmporas e retornou ao processo de maquiagem. Não tinha tempo para os chiliques de um diretor medíocre e arrogante. Passou pó em excesso e segurou as lágrimas, pois deixariam um rastro preto em suas bochechas.

A porta se abriu estrondosamente, mas Viola estava concentrada apenas em sua angústia. Suas companheiras, enfeitadas com plumas, exprimiram barulhos não identificáveis. Dirigiram seu olhar a Viola, que, alheia ao momento, continuava sua preparação.

- Sua idiota! Deixe isso de lado e vá para o palco!

As suas colegas começaram a rir. Viola olhou-as, sem entender. O que ela lhes havia feito? Jamais destratara as companheiras. Nem mesmo interagia com elas.
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"Para onde ele foi?" É tão fácil pensar que foi ele que nos abandonou, que nos entregamos rapidamente à ideia de que estamos sozinhos. O friozinho da vazio é melhor recebido que o calor ardente da culpa. Mas por quê? Porque somos fracos e preguiçosos? Ou simplesmente porque somos incapazes de enxergar as pegadas erradas exceto quando retornamos pelo caminho? 

Então você se depara com o início. "De onde ele veio?" Ele passou rápido por você. Num momento era sonho, no outro devaneio. Daí veio a insanidade. Ele chegou destruindo e reconstruindo. Criou novos espaços até que se tornou império. Você não viu seus fantasmas se afastando, pois ele chegou sutilmente. A fera veio calada. Até que, no meio da estrada, soltou seu rugido.

Então, vieram as palavras, as primeiras declarações. O toque de mão já não era alegria momentânea; era necessidade. O aperto vinha da ausência. Ele tomou seu corpo, controlou seus prazeres. Finalmente, você se deu conta de que ele estava ali, tão claro como se sempre tivesse existido. O silêncio já era barulho. As fortes batidas no peito. O sorriso. Vieram as memórias mais felizes, sempre sonhos de uma noite de verão. Era calor e era mais que isso. Era torpor. "Era ilusão."
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