Eu sei, estou nervosa. Faz algum tempo que não estou acostumada com seus atrasos. Vinte minutos já. Talvez eu deva pedir um café antes que eles cheguem. Ou talvez não. Talvez eles nem venham. Nesse caso, deveria pedir um café. Pelo menos o trajeto não teria sido em vão.
Quando termino de fazer o pedido, a porta da confeitaria se abre. Eles passam por ela, rindo de algo que não posso ouvir, algo que eu jamais poderia compartilhar. Ele faz caras e gestos demonstrando que a conversa era animada. Ela ri alto. Então, para e me vê. Seu semblante fica sério por um tempo, mas logo é substituído por um sorriso amarelo. Eu tento sorrir, mas sei que nada de bom sairá dali. Nunca fui boa em expressar aquilo que não sinto. Eu aceno levemente. Ela olha para ele. Ele já parou de falar, pois percebeu que havia entrado numa zona perigosa. Bombas podiam cair a qualquer minuto. Não cairiam, porém. Seriam apenas sorrisos. [Continuar]

