Você não vai ter um estalo. Você não vai falar sobre aquilo e sentir que agora entende o destino. Mas você vai precisar falar. Ou o mal vai percorrer ainda mais do seu corpo.
Você vai parecer indiferente. Mas o toque gelado vai permanecer em você. E você vai seguir em frente. Mas a dor continuará grudada em seu peito. E você não saberá o que sente, nem mesmo quando contar a alguém. Mas você precisará contar a alguém. E esse alguém precisará fazer-lhe voltar no tempo e mudar a trajetória da bala.
Não importa se a mudança nunca se dê na realidade. Sua mente acreditará que se deu.
E, ainda assim, você não vai ligar todos os pontos. Mas vai sentir que o inchaço diminuiu. Vai sentir que aquele roxo na pele se amenizou, mesmo que ainda não saiba de onde ele veio.
E você vai entender que você se reconstruiu depois daquilo. E você vai ver que talvez não tenha se reconstruído de forma ao todo saudável.
E você vai continuar lutando em seu corpo, com seu corpo, contra ele. E ainda não vai sentir a conexão completa. Mas, pelo menos, você sentirá que existe uma esperança.
Sempre existe uma esperança.


