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A Míope

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Estou no limiar da insanidade. Perdida nas entranhas que compõem meu encéfalo (o grande, oh, grande ser de sabedoria), estou cega, estou mais míope do que costumo ser. Estou dispersa no emaranhado de opiniões e pensamentos que me constroem e que tentam me converter. São todos caminhos que posso seguir e que tentam me convencer. Eu ando à meia-noite perdida, entre a escuridão noturna e o amanhecer, tentando me conhecer.

E nessa meia-noite, descubro-me sozinha, num lugar ermo, com roupas inapropriadas, quase nua. Na paisagem, letreiros de que estou prestes a ser corrompida. Eu sou aquela que procura os monstros dos meus pesadelos. Eu estou nua quando deveria estar vestida. E ele sente meu cheiro. O lobo caça meu odor, ele sente fome. Não tenho vestimentas para disfarçar minha posição. A fera caça a criança ingênua. E quando ele rompe o lacre da minha consciência, ouço os sussurros da inconformidade. Família, amigos e até desconhecidos repetem que a culpa nunca foi minha, que a culpa foi de monstros que andavam calados, mas que eu nunca mais posso andar solta e despida, pois monstros sempre espreitam os pássaros desavisados. Os pássaros não deviam abrir suas asas em mares de monstros. E como o mundo é uma eterna madrugada assombrada, os pássaros não deveriam voar. A culpa nunca foi sua, mas você não fez o suficiente para evitar.
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Querida Athena,

Talvez oceanos e eras nos separem no momento em você ler - ou reler - esta carta. Já não sei se fará alguma diferença o que minhas palavras tem a significar em sua vida, ou se serão apenas parágrafos escritos ao vento, como a bula de uma história a ser ignorada. Pode ser que sirva apenas como o remédio inútil de uma hipocondríaca do autoconhecimento. Ou pode ser que seja o estopim de uma grande revolução. Assim espero, ao menos.

É tão incrível que anos se passem e pessoas mudem e que eu e você permaneçamos em contato. Por vezes, acho que nossa ligação será cortada, como um bebê que se liberta do cordão umbilical. Sim, eu sei que isto é impossível, pois somos a mesma pessoa - eu, o que já fomos, e você, o que ainda seremos. No entanto, sinto como você se esquecesse de mim, deixando-me isolado num canto do seu passado como uma fotografia desconhecida quase apagada. Eu não sou fotografia. Eu tenho vida. Eu coexisto. Eu não deixo de existir. Eu sou o seu movimento, o seu caminho, seus passos. Eu sou seu pensamento. Sou sua fala, seus gostos e desgostos. Eu sou você. E, quando você me apaga, apaga aquilo que realmente é, perdendo-se na infinidade de coisas que poderia um dia ser, desconstruindo-se e tornando-se apenas uma matéria flutuante.

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