"Ela olha para o mar e lembra tudo o que deixou as ondas levarem. Deixou que elas levassem sua sanidade, seus medos, mas quase entregou sua vida também. Enquanto abraça os joelhos, ela lembra daquela noite, como se ainda estivesse nela. Ela lembra de estar drogada e bêbada, lembra de estar no mar, lembra de querer estar em outro lugar, lembra de querer estar em outra vida. E ela se lembra de estar na areia, chorando, abraçando os joelhos do mesmo modo que estava agora, e de prometer a si que nunca mais se deixaria fazer algo assim."
Você olha para o álbum de sua vida e vê as fotos alegres das quais quis se recordar. Jogou fora todas aquelas tentativas frustradas em que saiu com cara de choro, ou fazendo uma careta sem intenção, ou com um sorriso torto, ou de olhos fechados. Você não quer enxergar todos os dramas e dificuldades pelos quais passou e muitos do quais por que ainda passa. Mas você sabe que, no fundo da gaveta, vai ter uma foto que representa a realidade da vida: a tristeza andando ao lado da alegria. E ao tomá-la em suas mãos, você se lembra do que quis esconder. Você se lembra da rota tortuosa que percorreu antes de sorrir para a câmera. Você se lembra dos caminhos solitários. Você sabe que foi a mar profundo tentar salvar um navio parcialmente afundado. [Continuar]
