facebook twitter instagram pinterest bloglovin

A Míope

  • Home
  • About
  • Contact
    • Category
    • Category
    • Category
  • Shop
  • Advertise


Ora, imaginem qual foi sua surpresa e encantamento quando, desperto, percebeu que não era mais um boneco de madeira, mas que em vez disso havia se tornado um menino como os outros. Deu uma olhada em torno e, em lugar das antigas paredes de palha da cabana, viu um belo quartinho mobiliado e decorado com uma simplicidade quase elegante. Saltando logo da cama, encontrou ali separados uma bela roupinha, um chapeuzinho novo e um par de botinhas de couro que faziam delas uma verdadeira pintura

Tudo o que Pinocchio queria era ser um menino de verdade. Mas o que acontece quando se é verdadeiro? Não, não, pergunta errada. O que é ser verdadeiro? Pinocchio cresceu na mentira e aprendeu que a verdade era o único modo de alcançar a felicidade. Todavia, antes que pudesse se tornar aquele que deveria ser, passou por provações e testes. Testou sua própria essência em inúmeros desafios impostos pela vida até que aprendesse quem realmente era e como deveria agir diante de um vasto mundo. Ainda assim, descobriu o que era a verdade?
[Continuar]
Share
Tweet
Pin
Share
No comentários

Eu sei, estou nervosa. Faz algum tempo que não estou acostumada com seus atrasos. Vinte minutos já. Talvez eu deva pedir um café antes que eles cheguem. Ou talvez não. Talvez eles nem venham. Nesse caso, deveria pedir um café. Pelo menos o trajeto não teria sido em vão.

Quando termino de fazer o pedido, a porta da confeitaria se abre. Eles passam por ela, rindo de algo que não posso ouvir, algo que eu jamais poderia compartilhar. Ele faz caras e gestos demonstrando que a conversa era animada. Ela ri alto. Então, para e me vê. Seu semblante fica sério por um tempo, mas logo é substituído por um sorriso amarelo. Eu tento sorrir, mas sei que nada de bom sairá dali. Nunca fui boa em expressar aquilo que não sinto. Eu aceno levemente. Ela olha para ele. Ele já parou de falar, pois percebeu que havia entrado numa zona perigosa. Bombas podiam cair a qualquer minuto. Não cairiam, porém. Seriam apenas sorrisos.   [Continuar]
Share
Tweet
Pin
Share
No comentários
 
Era a estreia de “No Meio da Rota”, protagonizada por Viola de Andrade, cujo destino dizia-se o amor do povo e da crítica. Viola esperava que a previsão de seu Oráculo de Delfos fosse verdade e que não restasse uma só cadeira vazia.

- Por que ela ainda não está pronta? Este é meu teatro - Viola ouvia o diretor bradar por trás da porta que a separava do restante do mundo.

Massageou as têmporas e retornou ao processo de maquiagem. Não tinha tempo para os chiliques de um diretor medíocre e arrogante. Passou pó em excesso e segurou as lágrimas, pois deixariam um rastro preto em suas bochechas.

A porta se abriu estrondosamente, mas Viola estava concentrada apenas em sua angústia. Suas companheiras, enfeitadas com plumas, exprimiram barulhos não identificáveis. Dirigiram seu olhar a Viola, que, alheia ao momento, continuava sua preparação.

- Sua idiota! Deixe isso de lado e vá para o palco!

As suas colegas começaram a rir. Viola olhou-as, sem entender. O que ela lhes havia feito? Jamais destratara as companheiras. Nem mesmo interagia com elas.
Share
Tweet
Pin
Share
No comentários


Há três anos, quando aquele homem apareceu em minha porta, eu aceitei sua proposta sem pestanejar. Era o que eu fazia rotineiramente. As pessoas pagavam. Eu recebia o dinheiro. Alguém era vigiado. Segredos eram desvendados. Simples assim. O esforço envolvido era grande, mas a remuneração também era. E eu era o melhor em conhecer a vida das pessoas - e reconhecer a verdade nelas.
Eu trabalhava para o lado bom e para o lado ruim - se é que havia algum lado. Auxiliava a desvendar crimes, mesmo não sendo a pessoa mais amada da justiça. Auxiliava a cometer outros tantos crimes. O rumo era determinado pelas vantagens obtidas.
Jack, como eu o apelidei, chegou naquela tarde em meu apartamento dizendo que meus serviços foram recomendados por conhecidos. Eu ouvi atentamente. Ele era frio e confiante. Não era um caso passional. Jack não se deixava abalar. Era cruel. Imaginei logo que envolvia a fortuna da vítima, mas não era da minha conta a não ser que ele trouxesse à tona. Eu era pago para fazer, não para questionar.
Achamos o local apropriado, instalamos meus equipamentos. A vítima chegou uma semana depois. Chegou desacordada, parecendo que dormia um belo sono. Contudo, manchas roxas demonstravam que sua chegada não fora sem violência física. Eu analisava tudo. Eu precisava analisar tudo. 
Ele queria que eu identificasse o que ela sabia sobre o desaparecimento do suposto amante. Dário, o nome dele. Michela, o nome dela. Muito embora Jack parecesse se importar apenas com ele, eu sabia que havia algo em seu passado que envolvia a moça. 
- Eu não sei onde ele está!
Share
Tweet
Pin
Share
7 comentários
 

Pandora gostava de acreditar que havia nascido para um romance. À medida em que o tempo passava, ficava inquieta com a inércia da vida. Nada grandioso ou extraordinário lhe acontecia. Não podia viver para sempre na mesmice do nada acontecer. Assim, quando passou pelo antiquário que ficava a algumas quadras de sua casa - exatamente na metade do caminho para a escola -, veio-lhe o grande pensamento. Não precisava ser presenteada por deuses, fadas madrinhas ou excêntricos seres. Pandora podia fazer da sua vontade a verdade. Comprou aquele lindo e caro caderno de capa dourada - da mesma cor que seria sua vida de agora em diante. O proprietário da loja lhe contara as fabulosas aventuras vivenciadas por aquele item - havia passado até pelas mãos de Shakespeare -, cuja capa sobrevivera por séculos. As folhas, como era de se esperar, ficaram desgastadas com a idade e foram usadas e trocadas algumas vezes. Algumas pertenciam hoje a museus, outras escondiam-se sob o solo do tempo. Nem sempre o conteúdo era importante o suficiente para ser relembrado - ou, ao menos, de importância para o mundo. O que importava era a mágica daquele revestimento de ouro e partículas preciosas - as vidas que se escondiam no objeto. A mágica? Tudo o que você deseja se torna real. Pandora finalmente teria o que queria. Pandora pensou na lista de desejos que gostaria de registrar. Em primeiro lugar, gostaria de ser rica o suficiente para comprar e viver tudo o que desejasse caso não pudesse escrever no caderno. Colocou uma boa soma no caderno e esperou que o dinheiro entrasse em sua conta. Depois, pensou, gostaria de ser mais alta. E continuou com a parte de futilidades. Afinal, nada de mal poderia advir destes pequenos desejos. Passou, então, para parte sentimental. O que gostaria de escrever? Pandora sabia bem. "Pandora deseja ser a heroína de um romance e encontrar um final feliz ao lado de alguém que a compreenda". Magicamente, Pandora foi absorvida por seu desejo e transformada em palavras. Tornou-se uma história, com um desfecho feliz ao lado de um príncipe que a compreendia. Não percebeu que passar o controle de sua vida a algo ou alguém era perder-se no curso do livro da vida. O seu romance seria aquilo que sempre desejou: apenas palavras.

Share
Tweet
Pin
Share
No comentários


"A Era de Ouro enfim chega para as mulheres. Podemos dizer que finalmente elas têm tudo pelo que elas lutaram. Neste 08 de março, relembremos as figuras importantes que deram força a esta luta e auxiliaram na conquista de tantos direitos! Angelina Jolie, Emma Watson..."

Dolores desligou o rádio antes que a lista de mulheres brancas e poderosas se estendessem além de sua capacidade de memorização. Não discordava da grandeza de tais mulheres. Afinal, apenas o fato de nasceram com um órgão genital feminino parecia lhes conceder um peso enorme a ser carregado. Todo dia carregavam em seu útero a dor do machismo. Ela só queria que algumas de suas ancestrais talvez estivessem lá, na lista mal formulada por aquele homem de voz irritante. Ou talvez pessoas que todos desconhecessem e que tivessem lutado mais ativamente pela construção - ou desconstrução - da figura feminina - feminista.

O aparelho continuava a chiar na bancada da cozinha, como se obrigasse Maria Dolores a captar sua mensagem. Independente de quem tivesse figurado na luta ou de quais nomes fossem mencionados, não haviam as mulheres conseguido tudo aquilo que almejavam? Eram livres para votar, livres para trabalhar e até mesmo livres para escolher seus maridos. Obviamente, não havia a alternativa não escolher maridos. Ela riu. Quem pensaria em ficar sozinha? A mulher conseguira tanta coisa, que um marido em casa para confortá-la e dar-lhe apoio e segurança tornara-se uma essencialidade. Dolores tinha o dela, conquistado em uma dificílima disputa entre leoas. Nenhuma delas com o porte dela.
Share
Tweet
Pin
Share
3 comentários
Older Posts

About me

Athena Bastos

Descrição

Follow Us

  • facebook
  • twitter
  • pinterest
  • google+
  • instagram
  • bloglovin

Labels

recent posts

Sponsor

Blog Archive

  • maio 2017 (1)
  • setembro 2016 (1)
  • julho 2016 (2)
  • maio 2016 (3)
  • abril 2016 (1)
  • março 2016 (2)
  • fevereiro 2016 (3)
  • janeiro 2016 (2)
  • novembro 2015 (1)
  • outubro 2015 (2)
  • setembro 2015 (1)
  • agosto 2015 (2)
  • julho 2015 (1)
  • maio 2015 (2)
  • abril 2015 (1)
  • março 2015 (1)
  • fevereiro 2015 (3)
  • janeiro 2015 (2)
Facebook Twitter Instagram Pinterest Bloglovin
FOLLOW ME @INSTAGRAM

Created with by BeautyTemplates | Distributed by Blogger