Roda da Fortuna
Gire a roleta. Você queria a casa vermelha. Não caiu lá. Desesperou-se. O planejamento era a chave do sucesso e, em questão de um minuto, tudo ruiu. Todos os papéis escritos, os sonhos contados, os minutos planejados. Tudo sumiu. A questão de uma rodada definiu uma vida. Não sobrara nada. Tudo fora apostado naquela roleta. Você se apostou. Você não ganhou. Você se perdeu.
O problema de contar com planos certos é que o certo não existe. Quantas histórias não ouvimos por aí de um instante que definiu uma eternidade? Era um carro, um vento, um evento, uma falta de sorte. Ou era a ligação inesperada, o tempo, o momento, a hora de agir. E no impulso, quebram-se as barreiras. O muro desfaz-se. Sem espera ou talvez com. Repentinamente. Um sorriso. A fala certa. O certo definiu-se no momento em que se constituiu. Não havia "era certo até que...". Se já não era certo, nunca foi. Não existe o "e se" ou "até que". Tudo é incerto, variável em suas próprias medidas. O certo vem quando tem de ser. [Continuar]
Você cria planos e não enxerga os outros caminhos. Rabisca as outras rotas do mapa. Daí vem a chuva, que constitui empecilho. Cai como onda, e a terra desmorona sobre as linhas do papel. Se já está no processo fica perdida. Se ainda está em casa, perde a razão. Tão mais fácil seria, se você retirasse a venda, se enxergasse outro padrão. Então você veria o vale não tão nublado ou o rastro de sol. Veria um túnel ou veria um desvio. E pegaria o rumo incerto, tão certo quanto aquele que nunca o fora. E você seguiria sem ter certeza de nada e tendo certeza de tudo o que lhe era necessário. Você viveria.
Gire a roleta. Aposte na sorte. Corra riscos. Siga a sua intuição. A verdade não está escrita em livros do destino. A verdade está na ação. Você pode sonhar com a casa 1 ou a casa 10, mas a roleta pode resolver parar na casa 7. Quem se limita, perde. Quem se estende, aproveita. Quem quer fortuna, aposta no roleta.
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