Com amor, aquela que um dia foi sua

by - janeiro 05, 2015

Perdoe-me por aquilo que estou para falar.

Com amor, sua alma.


Esqueci de avisar-lhe que clandestinamente mudei de endereço. Parti em uma viagem sem regressos nem acompanhantes, onde perdi-me entre sabores e odores. Trajei-me de pérolas e mármores, frios condimentos do espírito. Desencontrei-me de amores. Separei-me de carnes e dentes. Não me lembrei das unhas largadas, retiradas quando as garras arranharam a face e cravaram-se na pele macia, desentranhando o que não mais estava junto. Fiquei rígida. O medo sufocou-me. A dor foi torturante. Perdi as memórias. Demorei a compreender a rota da partida. Eu parti. Lembrei-me disso. Fiz uma regressão de meus passos. Cheguei ao início. Então, descobri que havia passado pela porta de um apartamento solitário e lançando-me ao mundo.



Perdoe-me, esqueci de avisar-lhe que clandestinamente fugi de nossa vida.

Com amor, aquela que um dia foi sua.

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